Não sei no que deu a recente greve dos roteiristas de Hollywood: se pediram reajuste de salários, depois de assistir a “O Procurado”, acho que a solicitação deveria ser negada veementemente pelos estúdios. Tudo bem que esta produção é adaptada dos quadrinhos e dirigida aos jovens — que não costumam exigir mais do que bons efeitos de computação gráfica – porém o estranho é que a garotada não vai poder ver, por conta da censura de 18 anos.
A maioria do público adulto, entretanto, não sabe que a história vem dos Gibis e acaba achando que se trata de um filme de ação normal. Não é. Vê um festival de cenas inverossímeis; sadismo; violência exacerbada, ratos e sangue aos borbotões, tudo mostrado com realismo extremo.
O diretor russo Timur Bekmambetov, em seu primeiro filme americano, parece um garoto empolgado com os recursos técnicos de ponta que o dinheiro pode oferecer. Mostra que tem competência incontestável no uso desses brinquedos, usando e abusando de efeitos especiais de tirar o fôlego. Porém isso de nada adianta quando se segue um roteiro confuso e completamente surreal.
Nele, um fracassado, Wesley Gibson (James MacAvoy, do ótimo “Desejo e Reparação”), descobre ser filho de um dos maiores matadores do mundo, pertencente a uma sociedade secreta de homicidas. Após a morte de seu pai, a sociedade lhe diz que ele teria herdado o mesmo dom e oferece uma herança milionária para que siga a carreira de assassino. Morgan Freeman, na pele do chefão da fraternidade, formada por um grupo de… tecelões(!!!), Angelina Jolie, e Terence Stamp (antigo galã do cinema europeu que nos EUA só encarna vilões), emprestam seus nomes, naturalmente a peso de ouro, a esta produção que só deve ser vista por aqueles que não acreditam nas leis da física e admitem absurdos como: balas que fazem curva para acertar alvos e curas instantâneas para ferimentos graves.
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