Cinema | “Fatal” (Elegy) | Drama

Ben Kingsley, Penélope Cruz, Dennis Hopper

Sinopse: Um renomado professor vivendo solitariamente a terceira idade, com relação distante e conflituosa com seu único filho, se apaixona por uma aluna, fato que revoluciona toda a sua vida.

Esta é a adaptação para o cinema do romance “O animal agonizante”, de Philip Roth. Às vezes quase literalmente, a diretora Isabel Coixet consegue traduzir na tela quase toda a complexidade e nuances de ordem moral-existencial que uma relação amorosa entre um homem já na terceira idade e uma mulher 30 anos mais jovem pode conter. Com uma narrativa fechada basicamente em 4 personagens, o filme aprofunda as questões que envolvem uma relação deste tipo de maneira completamente inédita: sem nenhum preconceito. Justamente por isso, muitos espectadores se incomodarão bastante com as cenas amorosas vividas pelos protagonistas Ben Kingsley (o eterno Ghandi) e Penélope Cruz — o par romântico mais improvável de todos os tempos no cinema. Dennis Hopper aparece à vontade, como o amigo de fé a quem Ben Kingsley faz suas confidências amorosas, o que rende alguns (poucos) momentos de riso durante a projeção. Na verdade, o objetivo e mérito maior da obra é relativizar o sentido da palavra tempo, fazendo pensar que cada um tem seu tempo particular, de acordo com sua vivência pessoal. Assim, devemos cumprir simplesmente nossos papéis sociais ou ouvimos nossa verdadeira voz interior para agirmos mais instintivamente, correndo o risco da rejeição pela comunidade em que vivemos? Esqueça cenas de ação, efeitos especiais e violência, comuns no cinema de hoje. Este é um filme introspectivo, para quem procura obras de mais conteúdo. Recomendado principalmente às pessoas de mente aberta e já com bastante experiência de vida acumulada.

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